Bad Bunny fez história no halftime show do Super Bowl LX
Bad Bunny na Super Bowl / Edwin Rodriguez
Bad Bunny apresentou um espetáculo de 13 minutos quase inteiramente em espanhol no Super Bowl LX. Lady Gaga e Ricky Martin foram os convidados especiais
Bad Bunny entrou para a história do Super Bowl LX como o primeiro artista a protagonizar um halftime show quase inteiramente em espanhol, numa atuação de 13 minutos que transformou o Levi's Stadium, em Santa Clara, Califórnia, numa celebração da cultura latina. O artista porto-riquenho, que venceu três Grammy Awards há uma semana, incluindo Album of the Year com "Debí Tirar Más Fotos", levou ao palco do maior evento desportivo dos Estados Unidos aquilo que prometeu dias antes numa conversa para a Apple Music: "uma grande festa".
Antes do jogo, Charlie Puth cantou o hino nacional norte-americano, Brandi Carlile interpretou "America the Beautiful" e Coco Jones cantou "Lift Every Voice and Sing". A cerimónia de abertura ficou a cargo dos Green Day.
A atuação de Bad Bunny arrancou com "Tití Me Preguntó", com o artista vestido de branco e com uma camisola com o apelido Ocasio e o número 64. O cenário recriou uma praça típica de Porto Rico, com erva alta que surgiu inesperadamente no relvado, palmeiras, vendedores ambulantes, trabalhadores do campo com chapéus de palha tradicionais e elementos da vida comunitária da ilha. Bad Bunny foi acompanhado por músicos ao vivo e uma grande coreografia que percorreu temas como "Yo Perreo Sola", "BAILE INoLVIDABLE", "El Apagón", "CAFé CON RON", "MONACO", "NUEVAYoL" e "Eoo", encerrando com "DeBÍ TiRAR MáS FOToS".
As surpresas ficaram a cargo de Lady Gaga e Ricky Martin. Lady Gaga, que já tinha atuado no Super Bowl como intérprete do hino nacional e como cabeça de cartaz do halftime show, regressou como convidada especial para cantar uma versão em estilo salsa de "Die with a Smile", dançando depois com Bad Bunny ao som de "Baile Inolvidable". Ricky Martin, também porto-riquenho, juntou-se ao palco para interpretar "LO QUE LE PASÓ A HAWAii". Durante a atuação, um casal casou-se no palco enquanto Bad Bunny dançava, num momento que a equipa do artista confirmou à Variety ser um casamento real. Pedro Pascal, Cardi B, Karol G e Jessica Alba foram vistos a dançar no cenário da casita montada no campo.
Bad Bunny encerrou a atuação com uma declaração política e cultural. Rodeado pelas bandeiras dos Estados Unidos, Porto Rico e de vários países das Américas, o artista declarou "God Bless America" e listou nações da América do Sul, Central e Norte, terminando com México, Estados Unidos e Canadá antes de destacar Porto Rico. No ecrã apareceu a mensagem "The only thing more powerful than hate is love" (A única coisa mais poderosa que o ódio é o amor).
A atuação gerou reações divididas nas redes sociais. O ex-jogador da NFL J.J. Watt escreveu "Não percebi uma única palavra, mas foi uma vibe", enquanto o basquetebolista Jalen Brunson agradeceu com um simples "Thank you Benito". O jogador de futebol americano Budda Baker escreveu "Não sei o que ele está a dizer mas é incrível". Donald Trump criticou o espetáculo nas redes sociais, descrevendo-o como "um insulto" aos Estados Unidos, numa reação que sublinha o impacto cultural e social do Super Bowl para além do desporto.
Os Seattle Seahawks venceram os New England Patriots por 29-13 e conquistaram o segundo título da história do Super Bowl.
Em Portugal, o jogo e o Apple Music Halftime Show foram transmitidos pela DAZN Portugal, detentora dos direitos da NFL. Através do NFL Game Pass, os espectadores puderam escolher entre comentários em português ou a emissão original norte-americana. O espetáculo completo pode ser visto no canal oficial da NFL no YouTube.
Quando foi anunciado como cabeça de cartaz do Super Bowl, Bad Bunny declarou: "O que estou a sentir vai além de mim mesmo. É por aqueles que vieram antes de mim e correram inúmeros metros para que eu pudesse entrar e marcar um touchdown… isto é pelo meu povo, pela minha cultura e pela nossa história". Na noite de domingo, cumpriu essa promessa ao celebrar com a bola no chão antes de ser abraçado pelos amigos, enquanto o estádio inteiro cantava "Debí Tirar Más Fotos". Se isto não representa o verdadeiro sonho americano, então esse sonho deixou de existir.
A "Debí Tirar Más Fotos World Tour" chega a Portugal nos dias 26 e 27 de maio deste ano, com dois concertos agendados para o Estádio da Luz. Ambos os espetáculos encontram‑se totalmente esgotados.