Tame Impala na Super Bock Arena: duas horas de luz, lasers e muito amor ao Porto
Tame Impala / Paulo Pinho
A Super Bock Arena recebeu este sábado os Tame Impala com lotação esgotada. O regresso de Kevin Parker a Portugal não foi apenas mais um concerto: foi o batismo ao vivo de "Deadbeat", o álbum que consolidou a mutação dos Tame Impala numa entidade de rave futuro-primitiva.
Os Rip Magic abriram a noite e não desiludiram. O quarteto londrino, composto por Marco Pini, Felix Bayley-Higgins, Beth Boswell-Knight e Pedro Takahashi, provou por que é a nova sensação do selo DFA. O novo single, "5words", produzido por James Murphy (LCD Soundsystem), soou como um manifesto de intenções: sintetizadores estridentes e uma rítmica implacável que transformaram a arena num clube alternativo.
A banda percorreu um caminho improvável: de banda de rock psicadélico (Innerspeaker, 2010) passou para a pop setentista (Currents, 2015) e, agora, é uma máquina de fazer techno pop (Deadbeat, 2025), sem nunca ter perdido a sua identidade pelo caminho. Kevin Parker, um tipo normal que, do nada, se tornou numa estrela pop, é o responsável por tudo isto.
Quando Kevin Parker subiu ao palco, a atmosfera mudou. "Apocalypse Dreams" entrou vestida de strobes, num palco oval que criava uma sensação de 360º. O reverb dos instrumentos e da voz envolvia a arena, enquanto as luzes e os efeitos visuais transformavam o espaço num espetáculo de cor. "Borderline" e "Loser" trouxeram os primeiros momentos de euforia da noite. Kevin Parker revelou uma voz mais rica do que em estúdio, com a confiança de quem já não precisa de se esconder atrás de camadas de reverberação.
"Adoro o Porto. Não quero ir embora", atirou o australiano, que se desdobrou em elogios à cidade ao longo da noite. Antes de "Elephant", acendeu calmamente um cigarro e prometeu "subir a parada" com o riff garageiro. Em 'Afterthought' desceu para junto do público, trocou apertos de mão com os fãs, e abriu caminho para o arco-íris perfeito de "Feels Like We Only Go Backwards".
A meio do espetáculo, o público foi surpreendido por um segundo palco circular no centro da arena, decorado com abajures e almofadas. Kevin Parker apresentou "No Reply", "Ethereal Connection" e "Not My World" deitado no chão, num momento de intimidade quase surrealista que contrastava com a imensidão do pavilhão. Nem todos gostam de dançar ao ritmo do techno, mas poucos resistiram.
De volta ao palco principal, "Let It Happen" trouxe confettis, lasers e uma claque improvisada que cantou a melodia como num estádio. "New Person, Same Old Mistakes" encerrou o concerto propriamente dito com mais confettis e lasers.
No encore, nova declaração apaixonada: "Vocês aquecem-me o coração. Não consigo descrever, são mágicos", afirmou. "My Old Ways" passou por algumas dificuldades técnicas, "The Less I Know the Better" fez a Super Bock Arena pular e "End of Summer" deu por encerrada uma noite de duas horas e vinte.
Ao longo de 23 canções, os Tame Impala demonstraram por que Kevin Parker é uma das vozes mais influentes da década. Se "Deadbeat" é o futuro, o futuro soa a uma festa primitiva onde ninguém quis parar de dançar.
Este domingo, 5 de abril, a celebração repete-se na MEO Arena, em Lisboa, a partir das 19h30.
Apocalypse Dreams
The Moment
Borderline
Loser
Breathe Deeper
Gossip
Elephant
Afterthought
Feels Like We Only Go Backwards
Dracula
B-Stage
No Reply
Ethereal Connection
Not My World
Main Stage
Let It Happen
Nangs
List of People
Alter Ego
Piece of Heaven
Eventually
New Person, Same Old Mistakes
Encore
My Old Ways
The Less I Know the Better
End of Summer