Lisboa disse "Estamos Bien" à estreia de Bad Bunny no Estádio da Luz
Bad Bunny no Estádio da Luz, Lisboa, 2026. Créditos: Paulo Pinho
Seis anos depois de a pandemia ter cancelado as passagens pelos festivais Primavera Sound Porto e MEO Sudoeste, Bad Bunny pisou finalmente um palco português na noite de 26 de maio e tornou-se no primeiro artista latino a atuar no Estádio da Luz, perante 60 mil pessoas vindas de todo o país e de todo o mundo.
Com temperaturas que ultrapassaram os 34 graus em Lisboa, o calor não impediu os fãs de passar horas, alguns desde o dia anterior, nas filas de acesso ao Estádio da Luz. O trânsito condicionado nas imediações criou algumas dificuldades de acesso, mas nada que travasse a boa disposição de quem chegava com chapéus de palha, roupa colorida e merchandising oficial comprado à porta do recinto: a festa começou muito antes de Benito Antonio Martínez Ocasio, mais conhecido por Bad Bunny, se estrear em Portugal.
A banda porto-riquenha Chuwi subiu ao palco às 20h para um espetáculo de 40 minutos que, apesar de alguns problemas técnicos iniciais, acabou por conquistar o público. Já depois das 21h, um vídeo com dois jovens portugueses deu lugar à entrada mais esperada da noite: Bad Bunny surgiu de baixo do palco, de fato branco, óculos de sol e sapatos castanhos clássicos, acompanhado pela banda Los Sobrinos, e manteve-se imóvel em silêncio durante quase dois minutos a absorver os gritos do Estádio da Luz, antes de confessar que não esperava encontrar tanta gente e que estava emocionado. "Quero que aproveitem as coisas simples da vida, como cantar e dançar. Vocês têm o poder de converter esta noite numa noite inesquecível", disse ao público.
A produção impressionou desde o primeiro momento, com um palco rodeado de público em todos os lados, ecrãs gigantes, fogo e dezenas de bailarinos em coreografias pensadas ao pormenor. O espetáculo arrancou com total energia em "LA MuDANZA", seguida de "Weltita", "Turista", "Baile Inolvidable" e "NuevaYoL", que ditaram o tom para uma noite de festa, ainda que a visibilidade em algumas zonas do piso 0 tenha ficado condicionada pela estrutura do palco.
A ligação à cultura portuguesa foi explícita desde cedo: um dos guitarristas da banda Los Sobrinos surpreendeu o público ao interpretar os primeiros compassos de "Lisboa Menina e Moça" no cuatro, instrumento nacional de Porto Rico semelhante a uma guitarra, aos quais o Estádio da Luz se juntou a cantar a uma só voz, antes de transitar para "Pitorro de Coco". Em "NuevaYoL", Bad Bunny parou a música a meio e o estádio inteiro respondeu com um grito ensurdecedor, com o público a iluminar-se com as câmeras de plástico distribuídas à entrada.
O espetáculo ganhou um tom mais íntimo com a passagem para La Casita, segundo palco em forma de casa tradicional porto-riquenha, desenhada pela diretora de arte Mayna Magruder e símbolo da digressão. Foi ali que Bad Bunny apresentou "Tití Me Preguntó", "Perfumito Nuevo", "Neverita" e "Si Veo a Tu Mamá", rodeado de bailarinos e alguns fãs. Lisboa não teve convidados surpresa, ao contrário de Barcelona, onde Bad Gyal subiu ao palco e figuras como Lamine Yamal assistiram a partir da casita, mas Bad Bunny foi até à primeira fila distribuir abraços aos fãs. No topo da estrutura, fez uma retrospetiva ao início da carreira e dedicou "Mónaco" a quem está presente desde o primeiro dia. A canção exclusiva da noite foi "Estamos Bien", e a porta da casita fechou-se ao som de "Café Con Ron" e "Ábreme Paso".
De volta ao palco principal, a energia não deu sinais de abrandar. "Ojitos Lindos" e "La Canción" deixaram o estádio em silêncio e em gritos ao mesmo tempo, antes de "Moscow Mule", "Dákiti" e "Yonaguni" devolverem a festa ao Estádio da Luz. "El Apagón", "DtMF" e "EoO" encerraram a noite entre efeitos pirotécnicos e batidas intensas. Foi durante "DtMF" que Bad Bunny pediu ao público para guardar os telemóveis e abraçar quem estava ao lado: "Não pensem nos erros do passado, não se preocupem tanto com o futuro. Vivam o agora." O espetáculo terminou perto da meia-noite, mas Benito demorou a sair de palco, numa despedida tão prolongada quanto a espera de seis anos que a antecedeu.
Bad Bunny saiu do Estádio da Luz sem deixar ninguém indiferente. Em pouco mais de duas horas, o primeiro artista latino a atuar no recinto transformou um estádio de futebol numa celebração da cultura porto-riquenha, provou que a música latina não precisa de tradução e deixou Lisboa com vontade de mais. A festa repete-se esta quarta-feira, 27 de maio.
Palco Principal
La MuDANZA
Callaíta
PIToRRO DE COCO
WELTiTA
TURiSTA
BAILE INoLVIDABLE
NUEVAYoL
La Casita
VeLDÁ
Tití me preguntó
Neverita
VOY A LLeVARTE PA PR
Si veo a tu mamá
Me porto bonito
No me conoce
Bichiyal
Yo perreo sola
Efecto
Safaera
Diles
MONACO
Estamos Bien (canção exclusiva)
CAFé CON RON
Ábreme paso
Palco Principal
Ojitos lindos
La canción
KLOuFRENS
DÁKITI
Yonaguni
El apagón
DtMF
Encore
EoO