Reportagem

Aerosmith despertaram uma “Sweet Emotion” na festa de despedida

Os Aerosmith voltaram a Portugal no dia 26 de junho de 2017 com o terceiro e último concerto. Como se costuma dizer, “à terceira é de vez”. Os êxitos, a começar por “Let the Music Do the Talking”, ressoaram pelo Parque das Nações em Lisboa a partir das 22:00, com a MEO Arena praticamente esgotada.

Foi uma noite com (super)estrelas do rock que fizeram o público cantar e gritar com toda a alma. Milhares de pessoas gritaram a plenos pulmões, mas nada igual ao “furacão” Steven Tyler.

A Arena ficou em chamas quando a banda tocou “Living on the edge”, de 1993. Pelo menos assim se via nos ecrãs gigantes que foram uma componente forte do espetáculo e onde se puderam ver algumas imagens da banda em quase 50 anos de história.

Aerosmith é uma das maiores bandas do rock e conserva os mesmos músicos desde o início de 1970. O concerto também demonstrou união.

Depois da viciante “Rag Doll” de 1987, milhares de pessoas estavam à espera do “Elevator” para subir mais uns níveis no entusiasmo e quase voar com os Aerosmith.

No auge da sua juventude e irreverência de 69 anos, o vocalista Steven Tyler demonstrou porque é um dos líderes de bandas mais prestigiados do mundo.

Steven Tyler teve energia para se deitar e rebolar no palco, cantar e gritar e estender o microfone para a multidão vezes sem conta. Momento profundo aquele em que pediu silêncio e criou suspense para que toda a Arena o visse lançar-se para o microfone com um sonante arroto. Com espírito de grupo, retirava-se da ribalta depois de apresentar os colegas.

Mister Joe fuckin’ Perry” conseguiu várias acrobacias: tocar com a guitarra deitada numa mesa ou com a cabeça da guitarra (headstock) colada ao chão na vertical, ou ainda protagonizar solos com a guitarra ao cachaço. Sim, com a guitarra ao cachaço, atrás da cabeça.

Joe Perry disse aos portugueses que era bom voltar (“it’s good to be back”) e cantou o “Stop Messing Around” que marcou os anos 2000, enquanto Steven tocava a harmónica.

O baterista Joey Kramer tinha o ar mais fatigado, e no entanto possuía todo o ritmo dos êxitos nas suas mãos e pernas. Era ele o coração dos Aerosmith a bater e a bombear o sangue vermelho vivo que as luzes entornaram sobre a MEO Arena. E lá estava Steven à sua frente, a tentar ajudar, a estender-lhe o microfone para os tambores e os pratos.

O baixista Brad Whitford, o guitarrista Tom Hamilton e o teclista Buck Johnson seguraram todas as linhas melódicas banda e também tiveram os seus momentos exclusivos debaixo dos holofotes.

Os Aerosmith deixaram em Lisboa uma “Sweet Emotion” que encanta desde 1975. “I Don’t Want To Miss A Thing”, grande sucesso de 1998, foi cantado por milhares de pessoas e muitos casais abraçados, a ver Steven usar o chapéu de um dos espetadores.

“Dude (Looks Like a Lady)” fez furor e deixou grande expectativa para o encore. Nos minutos de escuridão que se seguiram, o público, inconformado, não deu tréguas.

Até que Steven Tyler voltou e disse algo em português, algo como “Está bom, lindos?”, começando a tocar “Dream On” de 1973 num piano de cauda branco, que passou a servir de palco para Joe Perry subir com a guitarra. Também Steven levou o seu icónico microfone para cima do piano.

“Walk This Way”, de 1975, marcou o final do último concerto dos Aerosmith em Portugal. Os músicos juntaram-se na boca do palco, agradeceram. Steven Tyler abriu os braços e sorriu. “Aero-vederci, baby”!

Fotografias: Everything is New / Alexandre Antunes

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