/ David Carreira
Sex, 19 Abr às 19:25

David Carreira: "Gosto de criar novas formas de ver a música"

David Carreira é um dos artistas com mais sucesso da sua geração. O seu percurso artístico não foi sempre no mundo da música, tendo já passado pelo pequeno ecrã e pelos campos de futebol. Contudo foi nessa área que vingou. Detentor de um MTV Music Award, na categoria de "Best Portuguese Act", David Carreira lançou, no final de 2018, o seu mais recente álbum: “7”.

Como forma de celebrar o sucesso que o trabalho discográfico tem vindo a ter, o cantor anunciou um concerto a 360 graus no Altice Arena, a 30 de novembro. A Backstage esteve à conversa com David Carreira.

Backstage: Lançaste o teu mais recente álbum (“7”) no final do ano passado e o sucesso foi imediato. Tendo em conta que as redes sociais são, cada vez mais, uma constante na tua carreira, sentiste alguma diferença no retorno dos fãs relativamente a outros álbuns que já lançaste?

David Carreira: Cada vez mais a música passa pelas plataformas digitais, pelo Spotify, Apple Music, YouTube, entre outros. É verdade que tenho ainda algum público que compra os álbuns físicos, mas acaba por ser mais como recordação – se formos ver, os carros e os computadores que são vendidos hoje em dia já não têm este suporte sequer. O público ouve no digital, e por isso muita da estratégia deste álbum passou também por aí, apresentando conteúdos nestas várias plataformas onde efetivamente o público concentra a sua atenção.

B: E o desafio que lançaste aos teus fãs de te contactarem no WhatsApp? Como foi a experiência?

DC: Foi uma experiência ótima, já que me permitiu ter contacto direto com os fãs. Confesso que não olhava inicialmente para esta plataforma com isso em mente, mas decidi experimentar e os resultados foram ótimos. Nos primeiros dias recebi muitas mensagens mesmo, e claro que se tornou difícil dar uma resposta a todos os que me contactaram, mas esforcei-me ao máximo para que isso acontecesse. A verdade é que ainda hoje me contactam por aí e vou ainda respondendo, precisamente porque gosto deste contacto com os meus fãs, já que é para eles que trabalho diariamente.

B: No tema de abertura do álbum, “Olha Para Nós”, referes que o disco se divide num lado feliz e num lado triste. Quais foram as inspirações para o criar?

DC: Sim, o álbum divide-se em duas partes, e as inspirações para isso vêm da minha vida pessoal, das coisas que eu vejo e que me acontecem. É com isso que eu me inspiro para as letras das minhas músicas, tanto aquelas que saem com o meu nome como as que faço para outros projetos. A vida é feita de fases, e o ano de gravação deste álbum não foi exceção.

B: “O Problema É Que Ela É Linda” explodiu, no verão passado, e contagiaste o país com a tua coreografia. Sentiste que, de alguma forma, esse foi um single que “bateu” mais que outros lançados anteriormente, por exemplo, “Primeira Dama” ou o “Esta Noite”?

DC: Eram tempos diferentes, diria. É difícil a comparação do lançamento de singles de álbuns diferentes. Diria que estão os dois no mesmo patamar, principalmente “O Problema É Que Ela É Linda” e o “Primeira Dama”. O “Esta Noite” foi muito o meu início e eu já não tenho propriamente noção de como a coisa “bateu” naquela altura. Era o meu primeiro single e era uma realidade diferente, e não sei dizer qual “bateu” mais.

B: A participação de artistas brasileiros em “7” é notória, porquê o Brasil?

DC: Sim, neste álbum contei com a participação de três artistas brasileiros, a MC Rita, Kell Smith e MC Zuka. Foi algo que me foi natural, acabou por acontecer, também por gosto pessoal. Um dos objetivos deste álbum é chegar o mais longe possível, e por isso tenta também chegar também ao público brasileiro, com duetos com artistas reconhecidos no Brasil, com um público que não me conhecia.

B: Consideras colaborar com artistas nacionais e internacionais como uma mais valia para o teu trabalho?

DC: Claro que sim. É sobretudo algo que eu gosto de fazer. Gosto de partilhar estúdio e músicas com artistas nacionais e internacionais, já que assim tenho outras opiniões e energias comigo em estúdio. Quanto a serem nacionais ou internacionais, depende das músicas. Uma pessoa que entre comigo numa música tem de trazer algo de novo. Gosto de criar novas formas de ver a música, abordagens diferentes, e para isso a partilha com o artista convidado tem de ser completa, temos ambos de dar o nosso máximo. Só assim me faz sentido.

B: Sentes-te mais à vontade nas baladas ou nos temas que têm uma componente mais eletrónica?

DC: Gosto de ambos os registos. E às vezes até me apetecia fazer um projeto só de baladas, e outro com coisas mais mexidas, mais eletrónicas. A minha carreira está um pouco dividida entre estas duas ondas, e algumas das músicas ficam um bocado no meio, como é o caso do “Então Vai”, que é uma música mais calma, mais em tom de balada, mas com um ritmo mais RnB. Depende muito dos momentos em que faço a música e o que me faz sentido na altura. Há alturas em que as baladas “batem” mais, e outros em que as mexidas batem mais. Sinto que as baladas duram mais no tempo e as pessoas lembram-se mais.

B: Qual é a tua música preferida, da tua autoria, no momento? E aquela que já não consegues ouvir, mas que é inevitável cantar?

DC: Das músicas favoritas, estou indeciso entre o “In Love”, do álbum "3", e o “Cuido de Você”, do álbum "7". O “In Love” foi, sem dúvida, a música que mais me deu força para fazer uma transição na minha carreira. Já o “Cuido de Você” é uma música muito forte, que está a correr muito bem, e que me divirto imenso a cantar. A que já não consigo cantar porque já cantei mesmo muito e já não me revejo tanto da mesma forma, é o “Esta Noite”, o meu primeiro single, que acabo sempre por cantar porque as pessoas vibram muito com ela nos concertos.

B: Sobre o concerto no Altice Arena, como surgiu a ideia de fazer um concerto a 360 graus?

DC: Surgiu após ter feito um concerto 360 no Campo Pequeno. Correu muito bem, e a verdade é que depois de encher a sala do Campo Pequeno (com 9000 pessoas, uma capacidade acima do normal para a sala), o passo seguinte seria encher o Altice Arena. Fui adiando até sentir que era o momento certo. Só agora em 2019, com o lançamento deste álbum e dos singles, sinto que é a altura perfeita para dar este passo.

B: Já revelaste três convidados que vão subir contigo ao palco da Altice Arena. Há mais algum aspeto ou convidado que nos possas contar?

DC: Neste momento tenho já seis convidados confirmados. Vou contar com o DJ Telio, o MC Zuka, Nuno Ribeiro, a minha irmã Sara, a Kell Smith e Supa Squad. Talvez confirme mais nomes até à data!

B: Já atuaste no Campo Pequeno e, agora, segue-se o Altice Arena, qual é a sensação de ir atuar na maior sala de concertos do país?

DC: Ainda não pensei muito nisso, sinceramente. Já pensei muito no concerto que vou fazer lá, na parte de tornar a coisa memorável para as pessoas que me seguem e para quem estará no concerto nesse dia, mas ainda não tive propriamente tempo para pensar que vou cantar no Altice Arena. É, sem dúvida, um grande desafio e uma sensação incrível pisar um palco tão grande. Acho que é o objetivo de qualquer cantor português.

B: Para quando uma digressão pelo país?

DC: A "7 Tour" já começou há duas semanas no Luxemburgo. Já estivemos na Suíça, e vamos ter agora vários concertos no final do abril e em maio, sobretudo Queimas das Fitas. Depois tenho muitos concertos no Verão, como Mirandela (31/04), a Queima do Porto (05/05), a Queima de Lisboa (17/05), em Elvas (18/05). Vou andar um pouco por todo o lado no Verão.

B: No início da tua carreira, sentiste a pressão do teu nome?

DC: Acho que não senti, sobretudo porque não pensava muito nisso, principalmente no inicio da carreira... Fiz a minha música como tinha de fazer, e acho que esta é a melhor forma de ver a musica, esquecer um pouco o mundo de negócio que a rodeia, e ver mais o lado de fazeres algo que gostas. Quando ainda não cantava, lembro-me de pensar na forma como eu olhava para os artistas, e para as coisas incríveis que eles faziam e em como inovam constantemente. É nisso que tento focar-me: fazer coisas diferentes, experimentar outras sonoridades, fazer duetos inesperados com artistas completamente diferentes de mim, apostar em projetos com conceitos novos. Acho que é isso que me ajuda a deixar de lado pressões: apostar em surpreender os meus fãs e fazer sempre coisas diferentes.

B: Consideras que, com o lançamento deste sétimo álbum e com o anúncio do concerto no Altice Arena estás no ponto mais alto da tua carreira?

DC: Acho que não, ainda estou num ponto inicial. Sei de algumas coisas que já estão pré-programadas para 2019 e acho que o ponto mais alto será em 2020. De qualquer forma, acho que há sempre hipótese de ir mais longe. E penso que o álbum "7" e o concerto do Altice Arena podem ajudar-me a crescer ainda mais. Se o concerto correr bem e as pessoas gostarem do resultado final, posso sonhar com coisas maiores a fazer em seguida. Há sempre lugar para inovar e surpreender as pessoas.

B: Qual o próximo passo?

DC: O próximo passo é chegar rapidamente aos 10 milhões de visualizações no “Cuido de Você”, que tem estado a subir muito, bem como o “Gosto de Ti”. E fazer uma ótima digressão, completamente nova. Temos apostado muito ao nível de estruturas de videohall, que combinarão com as coreografias em palco na perfeição, uma coisa inovadora no panorama português. E claro, encher o Altice Arena!

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