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/ Fábio Teixeira
Sáb, 17 Fev às 21:55

Arte para humanos: à conversa com MAR

Algures na semana passada recebi uma chamada da MAR a convidar-me para uma conversa sobre o videoclip do seu novo single, "Dance", que saiu hoje (14 de fevereiro de 2018), dia dos namorados. Uma conversa que já lhe tinha prometido, e com todo o entusiasmo aceitei o convite. Para além de ser cantora, MAR (sim, MAR, para além do nome do seu projeto musical é o nome do seu bilhete de identidade) é uma talentosa escritora e amiga.

Conheci a MAR numa viagem de trabalho ao Algarve enquanto acompanhava uma banda, num evento onde ela fazia parte da organização. No entanto, foi apenas no estúdio da Von Di Carlo (DJ/Produtora, e amiga também) que nos tornámos amigos.

Dois dias depois do telefonema fui ao estúdio da Von Di Carlo, onde a MAR estava também a trabalhar, e resolvi tornar esta conversa casual numa entrevista para a Backstage.pt. Gostei tanto de o fazer que decidi torná-lo algo regular, conversando com outros amigos e artistas sobre os seus projetos. Mas divago...

Após os devidos "Olás" e os tradicionais "Como estás?" estarem tratados, sentámo-nos no sofá, bebemos chá e começámos a falar.

MAR - O que eu quero é mostrar a diversidade dentro de mim. Eu própria sinto que tenho 50 mil artistas diferentes dentro de mim. E mesmo assim sinto que consegui arranjar um fio condutor entre todas as marés dentro de mim. Sons de amor, sons mais sexuais, ou simplesmente sobre o meu ego... Tenho feito singles, separados, mas unidos quando "x" músicas estiverem lançadas.

Mike - Pelo que eu entendi, foi como um recolher de as ondas aleatórias (dentro de ti) e tu és a Mar porque escolheste o(s) ritmos dessas ondas, (géneros musicais e gostos). E neste momento consegues flutuar entre essas "Ondas" e encaixa-las em ti?

MAR - Podemos fazer a comparação do Mar com a "Mar" e, de facto, o mar é instável, mas podes prever o que irá acontecer. Agora está calmo mas pode haver um tsunami. As ondas convergem segundo o mood do mar e das marés. Sinto que é por aí. Mas nunca deixa de ter a mesma linguagem, que é sempre o mar. É sempre a água, as cores. Não divergem, mas o mar em si está sempre a mudar. Sinto que dou música pouco a pouco dando às pessoas algo de mim, e assim vão conhecendo partes diferentes da minha pessoa.

Mike - Nesse aspeto, és como o mar e dás a conhecer a tua música mais aleatoriamente, ou controlas o que dás às pessoas?

MAR - Aleatoriamente controlado. Faço as coisas (música) sem pensar, mas a ordem natural em que as coisas saem é orgânica e tudo faz sentido.

Mike - Conta-me um bocado sobre como tudo começou?

MAR - A minha familía conta-me que eu ainda não sabia andar mas já sabia dançar. Sempre adorei escrever os meus pequenos poemas, sempre a rimar: ABAB, cantava músicas em inglês, estava sempre a cantar. Inventava imensas melodias, mas não era consciente. Mas foi no 5º ano que um professor de música meu embirrou comigo e disse que eu sabia cantar. Motivou-me, pedindo-me para cantar várias músicas para a escola, e pôs-me o "bichinho".

Queria seguir esse sonho, mas não sabia como. Eu fazia Taekwondo e era o centro da minha vida, mas entre os 12 e os 14 anos apercebi-me que queria fazer música e deixei o Taekwondo para trás. Foi aos 12 anos que escrevi e compus a minha primeira música. Pouco depois comecei a fazer covers e a publicá-los na internet. Tive bom feedback, 300 mil visualizações em alguns vídeos. Na altura era criança e não tinha noção. O meu último cover foi no 9º ano. Foi na altura em que conheci uma pessoa que me disse: "Já pensaste que podes viver da música e ser reconhecida pelo mundo? Então compõe a tua própria música".

Mike - Quem foi essa pessoa?

MAR - Foi o Ângelo Makha. Continuo a trabalhar com ele na mesma. Nunca perdemos o contacto.

Mike - Um mentor, portanto?

MAR - Sem dúvida. Continua a ser hoje em dia. É o fotografo, é o ilustrador, é tudo... faz parte da equipa. Tenho de lhe dar o devido "shoutout". A nível de escrita... Se não fosse por ele eu não estaria a escrever como estou agora, "for a living".

Mike - O que é para ti um "achievement"? Sentes que já tiveste algum?

MAR - Sim, imensos... "I'm always achieving". Acho que os objetivos são diferentes. E "achivieing" é a consequência do meu trabalho. A minha carreia é curta aos olhos do público, mas já tem sete anos. Eu sou compositora, adoro cantar, dançar... é tudo aquilo que sou, mas escrever é a minha primeira paixão. Sou artista. Como se diz em Espanha, sou uma "cantautora".

Mike - Sentes que daqui a 100 anos os fãs que poderás ter na altura olharão para o teu primeiro videoclip e dirão: "Isto é a Mar?!"

MAR - Sem dúvida! Aliás, por isso acho que foi tão pertinente ter anos e anos de músicas por lançar. Algumas músicas que estou a lançar agora fiz há dois/três anos. Isso torna a minha música intemporal. Fi-las há três anos, mas é "fresh" e pensam que a fiz no momento. É isso que eu quero que a minha música transpareça. Atual. Que digam daqui a cinco anos "Uau, isto tá fixe!". Não cai no "cheesy".

Mike - Sobre o tema "Secret": há quanto tempo sabias que esta música seria a primeira que irias lançar?

MAR - Escrevi este som há dois anos e nunca pensei que seria a minha primeira música. Não estava a pensar em lançar este som, para ser sincera. Quando o escrevi, era com um beat completamente diferente, uma vibe completamente diferente, aliás. O meu flow era o mesmo, mas a vibe era diferente. Aqui teve muito impacto conhcecer a Von Di Carlo, ela deu o twist total, e disse: "Eu gosto desta música, ok!"

Mike - Fala-me um pouco sobre a parceria entre ti e a Von Di Carlo. Em primeiro lugar, não é muito comum ver mulheres no ramo da EDM (especialmente em Portugal). A Von Di Carlo já tem um género e sonoridade bastante específicos. Cool, técnico, sendo descontraído. O teu também é muito específico, mas é bastante diferente. Mais Diva, mais R&B... Consegues explicar-me como é que vocês encaixam tão bem?

MAR - A verdade é que eu e a Von Di Carlo somos a dupla improvável. Eu não estava à espera desta viagem. Quando começámos a trabalhar juntas havia uma clara distinção entre nós. Tínhamos gostos distintos, mas forçámo-nos a entender-nos e a trabalhar juntas, e ao longo de meses e meses a fazer músicas, a evoluir organicamente para o ponto onde estamos agora. Perfeitamente "blended" nos nossos géneros. Vês imenso a competência eletrónica dela (Von Di Carlo) com a mistura já da minha influência do R&B e vibes latinas. Sinceramente, foi uma viagem, sem dúvida. É uma pessoa com quem gosto muito de trabalhar.

Mike - Imagina-te daqui a cinco anos. Como te conheço, imagino-te de casaco de pelo branco, óculos de sol... A pergunta é: como será o teu dia perfeito daqui a cinco anos?

MAR - Um dia da Mar daqui a cinco anos.... Vejo-me a acordar num hotel. A ir para uma sala onde me preparam para um show e estar com as pessoas que trabalham comigo. Basicamente o meu dia-a-dia em "esteroides". Quero estar com todo o meu pessoal, algum está aqui hoje. Todos a prepararmo-nos para o show, a sair para o palco com aquelas pessoas de quem gosto. Quero simplesmente estar num palco e sentir que as pessoas que estão a ver estão a vibrar com a música. No dia em que eu der um concerto e vir o pessoal todo a cantar a minha letra, eu vou chorar. É uma imagem tão clara, "visualize things into reality". Espero bem que sim, é algo que vejo sempre. Sejam 200 ou 200 mil é igual, desde que estejam a vibrar e a cantar a minha música.

Mike - Sobre o videoclip de "Dance", mais uma colaboração com a Von Di Carlo: vimos o videoclip, gostei muito pessoal e profissionalmente. Vai ser controverso de certeza, mas quando a qualidade está lá não há nada a dizer, na minha opinião. Queres falar sobre isso?

MAR - Em relação ao potencial de ser controverso, eu vejo o porquê. Por outro lado, adoraria que não fosse controverso, de todo! É por isso que o fiz!

Mike - Seria um sinal de que estaríamos numa civilização mais avançada.

MAR - É isso! Eu fiz isso mesmo para testar. Para educar de certa maneira. É só uma rapariga fazer o que estou a fazer num vídeo a cantar e a dizer o que estou a dizer. No videoclip, basta trocar-me por um homem e já não seria algo de interesse público, já não teria nada de mais. Mais um homem a falar de sexo. Eu quero chegar e dizer: "Hello! O que se passa?"

Mike - Aquilo que eu acho mais perturbador é o facto de uma peça artística como a que tu criaste ser mais suscetível a ter opiniões negativas, quase fundamentalistas, do que toda a violência que existe nos nossos ecrãs hoje em dia. Já para não falar de todo o sexismo e tabus sociais injustos.

MAR - É a objetificação da mulher, constante.

Mike - A estupidificação humana, no fundo. Acho ótimo e dou-te os parabéns por estares a fazer algo.

MAR - Na verdade, tenho a noção que muitos não vão perceber o porquê e o que está por detrás do facto de eu fazer um videoclip assim.

Mike - Fizeste arte para humanos.

MAR - Sim... Sem géneros, sem nada, humanos.

Artigo da autoria de Mike The Axe.

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