Morreu Jorge Palma, aos 76 anos

Jorge Palma.

Jorge Palma

O cantor e compositor, uma das vozes mais marcantes da música portuguesa contemporânea, morreu na segunda-feira à noite, vítima de uma paragem cardiorrespiratória, anunciou a família esta terça-feira
terça-feira, 22 de setembro de 2026, às 8:31
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Jorge Palma faleceu na segunda-feira à noite, aos 76 anos, vítima de uma paragem cardiorrespiratória. A notícia foi confirmada esta terça-feira pela família, numa mensagem publicada nas redes sociais do músico.

"É com profundo pesar e consternação que a família e agência de Jorge Palma informam a sua morte, ocorrida esta segunda-feira à noite, aos 76 anos, vítima de uma paragem cardiorrespiratória", lê-se na mensagem, assinada pela mulher, Rita Tomé, os filhos, Vicente e Francisco Palma, e os managers, André Sebastião e Tiago Branco, que pedem que o músico seja recordado pelas suas canções e palavras.

O primeiro-ministro, Luís Montenegro, reagiu à notícia nas redes sociais: "Jorge Palma parte, mas a sua música fica. Fica nas palavras, nas melodias e na memória de várias gerações. Fica, sobretudo, na cultura portuguesa, que ajudou a transformar com a sua voz única e músicas intemporais."

Nascido em Lisboa, a 4 de junho de 1950, Jorge Manuel de Abreu Palma começou a estudar piano aos seis anos, e entrou no Conservatório de Música de Lisboa aos dez. Em 1963, ainda em formação, ficou em segundo lugar num concurso internacional de piano, no Festival Juventudes Musicais, em Palma de Maiorca, Espanha. A formação clássica não o prendeu, no entanto, durante muito tempo: aos 14 anos, aproximou-se do pop e do rock, um caminho que haveria de se prolongar por mais de meio século.

Antes da carreira a solo, passou pelos Black Boys, Jets e Extravaganza, sempre como teclista, até se tornar mais conhecido nos Sindicato, banda com a qual participou na primeira edição do festival de Vilar de Mouros, em 1971. No ano seguinte, gravou o primeiro single a solo, "The Nine Billion Names of God", antes de partir para a Dinamarca, a fugir à tropa e à Guerra Colonial.

Com a Revolução de 25 de Abril, regressou a Portugal, onde fez arranjos para artistas como Amália Rodrigues, Paco Bandeira e Pedro Barroso, e participou no Festival da Canção, em 1975. Ainda nessa década, trocou Lisboa por Paris, onde chegou a tocar nas ruas e no metro, temas de Bob Dylan, Paul Simon, James Taylor e Crosby, Stills and Nash.

De regresso a Lisboa, na década de 1980, retomou os estudos de piano no conservatório, que terminou em 1990. Gravou depois , editado em 1991, primeira coletânea da carreira, na qual revisitava, apenas ao piano, canções dos álbuns das duas décadas anteriores.

Nos anos 1990, avançou com os Palma's Gang, banda que juntava Zé Pedro e Kalu, dos Xutos & Pontapés, e Flak e Alex Cortez, dos Rádio Macau, fez música para teatro e integrou o grupo Rio Grande, além de compor para outros artistas. Regressou aos originais a solo com É Proibido Fumar, em 2001, seguido de Norte (2004) e Voo Nocturno (2007), o mais vendido da sua carreira, com triplo disco de platina.

Editou ainda Com Todo o Respeito, em 2011, e o registo ao vivo Só ao Vivo, em 2022, com gravações a piano e voz da digressão "Só", iniciada em 2021. Em outubro de 2023, lançou 70 Voltas ao Sol, captado no concerto que assinalou os seus 70 anos, no Coliseu dos Recreios, com a participação de Marisa Liz, Camané, Ana Moura e Diogo Piçarra. Nesse mesmo ano, editou Vida, o seu derradeiro trabalho de originais.

Em maio de 2025, estreou o espetáculo "3 Palmas na Mão", em palco com os dois filhos, Vicente, que integra a banda do pai há cerca de 20 anos, e Francisco. O nome nasceu no grupo de WhatsApp que os três partilhavam, tornou-se depois tema do álbum Vida, e acabou por dar nome ao próprio espetáculo.

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Ao longo da carreira, Jorge Palma venceu o Prémio José Afonso, em 2002, com o álbum Jorge Palma, e a primeira edição do Prémio Pedro Osório, da Sociedade Portuguesa de Autores, em 2012, com Com Todo o Respeito. Em 2020, recebeu a Medalha de Mérito Cultural da Câmara Municipal de Lisboa, no final de um concerto que celebrou os seus 70 anos, e foi condecorado pelo então Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, como Comendador da Ordem do Infante D. Henrique. Em abril deste ano, foi distinguido com o Prémio Carreira da 8.ª edição dos PLAY, os Prémios da Música Portuguesa. Na cerimónia, visivelmente surpreendido, com um cravo vermelho ao peito, agradeceu a quem o tinha ajudado ao longo da vida, entre eles "os profissionais do SNS, que fazem tudo com os poucos meios que têm", e pediu que o espírito do 25 de Abril nunca se torne "uma memória distante": "Temos de reinventar o espírito de Abril, sempre. Liberdade, justiça, democracia."

Foram mais de 50 anos de carreira que deixam uma certeza: como Jorge Palma cantava em "A Gente Vai Continuar", um dos temas mais queridos do seu repertório, "enquanto houver estrada para andar", as suas canções vão continuar a ser cantadas.

Última atualização: terça-feira, 22 de setembro de 2026, às 16:03