Morreu Dolly Parton, "rainha" da música country
Dolly Parton
Dolly Parton morreu esta terça-feira, aos 80 anos, depois de uma breve luta contra um cancro. A cantora e compositora norte-americana faleceu no Vanderbilt-Ingram Cancer Center, em Nashville, junto da família.
O falecimento foi anunciado pela equipa da artista e confirmado em vídeo pelo sobrinho, Bryan Seaver, também responsável pela segurança de Dolly Parton ao longo dos últimos anos. Segundo Bryan Seaver, tinha sido a própria cantora a pedir-lhe, anos antes, que gravasse esse vídeo.
Dolly Rebecca Parton nasceu a 19 de janeiro de 1946 e cresceu numa família de 12 irmãos, numa pequena cabana à beira do rio Little Pigeon, no Tennessee. O tio Bill Owens ofereceu-lhe a primeira guitarra aos 8 anos, e aos 14 gravou o primeiro disco, Puppy Love. Mudou-se depois para Nashville, onde começou a compor para outros artistas, até se estrear a solo em 1967 com o álbum Hello, I'm Dolly.
O grande momento de viragem chegou em 1973, com "Jolene", que se tornou o seu primeiro grande êxito fora do circuito country e a lançou definitivamente a nível internacional. Seguiram-se êxitos como "I Will Always Love You", mais tarde imortalizado por Whitney Houston na banda sonora de "O Guarda-Costas", além de "9 to 5", "Here You Come Again" e "Islands in the Stream", este a solo com Kenny Rogers.
Ao longo da carreira, gravou 49 álbuns de estúdio, 9 discos ao vivo e um EP, além de 222 coletâneas espalhadas pelo mundo, com mais de 100 milhões de exemplares vendidos, números que a tornaram na "rainha" da música country. O último álbum, Rockstar, saiu em 2023 e reunia versões de clássicos como "Purple Rain", de Prince, "Heart of Glass", dos Blondie, e "Let It Be", dos Beatles.
Além da música, marcou também o cinema, com papéis em "9 to 5", "Steel Magnolias" e "The Best Little Whorehouse in Texas", ao lado de atores como Jane Fonda, Lily Tomlin, Julia Roberts e Sally Field. Fundou também o parque temático Dollywood e criou o programa Imagination Library, que já distribuiu centenas de milhões de livros a crianças em todo o mundo. Curiosamente, o seu nome inspirou ainda o da ovelha Dolly, o primeiro mamífero clonado com sucesso a partir de uma célula adulta.
Em 2022, entrou para o Rock and Roll Hall of Fame, depois de recusar a distinção durante anos por achar que não tinha feito o suficiente para a merecer.
Em março de 2025, morreu Carl Dean, marido de Dolly Parton durante quase 60 anos. Meses depois, a cantora dedicou-lhe o tema "If You Hadn't Been There", que chegou ao primeiro lugar da tabela Adult Contemporary da Billboard e viria a ser o seu último grande sucesso. Ainda nesse ano, anunciou uma residência em Las Vegas, mais tarde adiada e, por fim, cancelada por motivos de saúde.
Dias antes de morrer, deu uma entrevista à revista People na qual tranquilizava os fãs sobre o seu estado de saúde e brincava que tinha trocado o estatuto de "rainha dos tabloides" pelo de "rainha das redes sociais".