Mário Marta

Mário Marta: "As músicas já estão preparadas e prontas para serem lançadas"

Mário Marta cresceu no meio da música numa família de cantores, compositores e músicos. Em 1998 tornou-se membro dos Shout!, um coro gospel formado por Sara Tavares e Dale Chappel e mais tarde pertenceu ao grupo de soul português SDS (Sons da Soul). Em dezembro do ano passado iniciou a sua aventura a solo com o lançamento de dois temas, Aguenta, com a participação da cantora cabo-verdiana Lura, e Aguenta.

Domingo, 29 de Março de 2020, às 17:29

O Mário nasceu e cresceu no meio da música, rodeado de familiares artistas. Certamente foi algo que influenciou muito o seu percurso. Lembra-se do que queria ser quando fosse grande? Ou sempre foi isto que quis?

Sinto, e hoje sei, que toda esta envolvência e o facto de ter crescido na mais cosmopolita e cultural cidade de cabo verde de então, cidade do Mindelo em São Vicente, cultivou em mim uma forma de sentir e de estar na nossa música de maneira muito particular. A meu ver pude absorver, desde muito pequeno, toda uma vivência de uma sociedade que fervilhava em criatividade, diretamente da minha casa (da fonte, por assim dizer). Convivi com compositores e cantores genuínos e inspiradores, dentro e fora da minha família. Desde ouvir os meus tios (…), a minha mãe Any Marta, o meu avô Marta, e, de fora, com os frequentadores assíduos das tocatinas lá do quintal da casa da minha tia Eunice, os hoje ainda mais conceituados artistas da nossa cultura: Manuel de NovasLuís Morais, Jorge Cornetim, Chico Serra, Cesária Évora, Ildo Lobo, Tito Paris, Ana Firmino entre muitos outros. 

Em relação ao que queria ser quando fosse grande, tive desde sempre a certeza que queria ser cantor, acho que nem sequer escolhi. Mais tarde achei que queria ser psicólogo e dono de uma padaria gigante, onde eu fazia pão para toda a gente. 

Continuo com o sonho de continuar a cantar e ser dono de uma Padaria conceituada.

Quem são as suas influências?

A minha influência maior foi a minha tia Eunice Marta, que conhecia muita música cabo-verdiana e brasileira, mas que que tinha uma forma diferente de as entoar. Quando era pequeno não percebia, mas gostava de a ouvir cantar daquela forma e acho que carrego isso comigo porque, de cada vez que canto uma música nunca é igual, ou seja, o meu cantar varia conforme o meu estado de espírito. Para além dela, naturalmente, temos a Cesária Évora, o Bana e o Ildo Lobo e muitos dos nomes sonantes da música brasileira, desde a Alcione, Bethânia, Nelson Gonçalves, Roberto Carlos etc. Atualmente as influências são tantas e ecléticas que é-me difícil enumera-las todas. Variam desde o gospel ao pop ou fado…

Durante 20 anos fez parte do coro gospel Os Shout, fez parte de um grupo de soul português, … Como é que surgiu esta vontade de se aventurar a solo passado tanto tempo?

Como já disse, sempre pensei e na verdade sabia que seria cantor, sendo que a dada altura senti vontade de cantar num coro, vontade aliás, que o universo prontamente realizou.

Nunca cheguei a projetar nada e fui sempre ao sabor do vento e, pouco depois de ter ingressado nos Shout!, conheci uns rapazes que já tinham um projeto soul a vozes. Conheci-os nas aulas de canto que, entretanto, comecei a frequentar para ver se incrementava solidez na minha voz, mas que foi por muito pouco tempo pois não queria sentir-me formatado. Eles convidaram-me para fazer parte do grupo e eu, voz para que te quero, aceitei. 

Este grupo também foi uma experiência única na minha vida enquanto cantor. 

Com o passar do tempo percebi que só seria eu, com identidade própria, quando resolvesse cantar a solo, onde pudesse decidir por mim próprio e correr os riscos que entendesse. É uma caminhada que requer muita determinação, mas que continuando a correr bem, trará uma sensação de realização pessoal gratificante. É preciso, nisto tudo, estar rodeado por uma equipa que acredita tanto ou mais em ti do que tu próprio, e isso o universo tratou de me dar. 

Agora é caminhar em frente, focado no objetivo, ultrapassando todos os entraves com positividade.

O seu estilo musical é muito a música africana: o funaná, a morna,… Mas por outro lado diz-se ser um cantor do mundo. É fácil conciliar todas estas inspirações e vivências?

Sim, claro. Independentemente do estilo musical que se adequa mais à tua forma de cantar ou à qual estás mais identificado, se cresceste a cantar muitos géneros musicais, como foi o meu caso, acho que acabas por conseguir, de uma forma natural, concilia-las, mesmo quando toda esta miscelânea vai deixando traços/influências uns nos outros.

Lançou dois singles seguidos no final de 2019, apesar de estarmos a passar por tempos conturbados que tornam difíceis planos a médio prazo, como tem planeado este ano?

A minha produtora, a Broda Music, traçou planos feitos muito dentro daquilo que eu pretendia e visualizava. Lançaríamos vários singles até meados do ano corrente e depois projetaríamos os shows do lançamento em Portugal, Cabo Verde e em vários países lusófonos e nos países onde a comunidade africana (PALOP) fosse mais forte. Foram lançados dois singles, o Kriol e o Aguenta, este último, um funaná, já um enorme sucesso, em dueto com a conceituada cantora cabo-verdiana, Lura

Entretanto, dado à conjetura atual, vamos apalpando terreno, mas já estamos a reprogramar as decisões. As músicas (coladeiras, batuco, coladeiras, morna e ainda outro funaná) já estão preparadas e prontas para serem lançadas no mercado. Que sejam sucessos!

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Catarina Freitas
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