Chong Kwong

Chong Kwong: “Se não for pra sentir borboletas na barriga, não contem comigo”

Com ascedência cabo verdiana, chinesa, moçambicana e timorense, Chong Kwong é uma true blasian. Considerada uma das promessas do hip hop português, lançou há pouco dias o seu quarto singleLótus.

Quarta-feira, 1 de Abril de 2020, às 20:17

Em tua casa a música sempre esteve muito presente, especialmente a música africana, e o rap apareceu na tua vida bastante cedo. Como começaste a expressar-te através das rimas? Pelo que sei foi algo muito natural.

Conseguir juntar ritmo a palavras foi tipo holy grail pra mim. Começar a rimar foi um processo bem natural e meio instintivo. Eu nem sabia bem que o sabia fazer. Na altura pra mim, o rap significou apenas liberdade de expressão e o hip hop trouxe-me um sentimento de pertença. Rimar trazia-me paz de espírito e algum controlo à minha vida familiar caótica, tipo aquele psicólogo que era dope ter tido. Foi assim que aprendi a verbalizar emoções.

O teu nome artístico é em homenagem ao teu bisavô, porquê?

Tu pra te conheceres e saberes quem és tens de saber quem foram os teus, qual a história deles, pra poderes montar a tua árvore genealógica, o teu background. Tem a ver com legacy. A história da minha família é meia trágica, cheia de drama e corações partidos, mas muito rica em história. E foi parte dessa história que eu quis ir buscar lá atrás. Lembro-me que na escola quando tínhamos de falar da nossa família, eu quase não sabia nada porque não entendia as minhas raízes e de onde tínhamos vindo. Então como é que podia saber quem eu era? Mais tarde, comecei a fazer as perguntas certas, a perceber toda a história e as nossas origens e eu própria fiquei de boca aberta com as coisas tão bonitas que fui descobrindo e que ficaram perdidas no tempo. Uma delas foi saber que o meu bisavô se chamava Chong Kwong e a minha avó Martha Chong Kwong e como nunca conheci nenhum dos dois, foi óbvio escolher esse nome. Mais que nome artístico, Chong Kwong significa family ties

Criaste a tua própria label, isso faz com que possas fazer o que quiseres, mas por outro lado não torna as coisas mais difíceis?

Nunca fui apologista de coisas fáceis. O fácil parece-me óbvio, boring e mais frágil, mais fácil de destruir. Sou bem mais a favor de construir a própria foundation e fazer o que se gosta, com paixão, atitude, foco e hustle. Se não for pra sentir borboletas na barriga, não contem comigo.

A tua ambição e foco são notórios. Já confessaste que gostavas de convidar mais rappers para a Blasian Drip, já imaginaste que rumo gostarias de dar à tua editora?

A Blasian Drip é um statement. Não é exclusivamente uma editora. As pessoas que estão comigo já conhecem a minha forma de trabalhar, a minha visão, os meus standards e não quero obviamente trabalhar só com rappers. Quero trabalhar com people visionário, talentoso e sem medo de arriscar, acima de tudo. Quero fazer tudo aquilo que me permita criar, visualizar e fazer acontecer, dentro do que me dá prazer. Só não me cortem as asas and I'm good.

Disseste uma frase que gostei particularmente e com a qual muita gente se deve identificar: "Não consumo géneros musicais, consumo vibes". O que andas a ouvir neste momento?

Ya, odeio caixas e cenas forçadas, extremamente organizadas. Na música, tens que deixar espaço pra "acontecer" simplesmente, pra fluir. Right now, ando a ouvir mais Matuê, Brent Faiyaz, Doja Cat, Pop Smoke, Kelvyn Colt, Koffee, Burna. Ando por aí.

Há pouco mais de dez dias lançaste o teu quarto singles, Lotus. Filha da Mãe será o teu álbum de estreia e os singles que lançaste até agora abordam temas e problemas muito teus, mas que tocam a muitos. Podemos contar com o prolongamento destas temáticas para o álbum?

As faixas que lancei até agora (Chong Kwong, Não te convidei e Salute) vão mais ao ego-trippin e punchlines apesar de cada uma ter temas bem vincados. O Lótus foi a minha música mais pessoal so far porque fala de uma relação tóxica que tive. As outras músicas do álbum vão seguir essa linha mais íntima.

Durante cerca de oito anos foste vocalista da La Dupla, agora sentiste que era momento de uma aventura a solo. Ainda assim, há feats neste álbum ou isso fica para depois?

Tudo a seu tempo.

Contas lançar mais temas antes do lançamento completo do álbum?

Neste momento the bitch in charge chama-se Corona e não vale a pena ter planos com timings muito definidos porque 'tamos a ver por A+B que não vale de nada. Por agora, vou deixar fluir e ver o que acontece. Tenho quatro músicas cá fora, já é um EP, vão consumir isso.

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Catarina Freitas
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