BTS - "Arirang": o reencontro com o mundo e com eles próprios
BTS / Big Hit Music
Antes da pausa, os BTS tinham consolidado o estatuto de maior grupo de K-pop do planeta. Os anos de ausência não apagaram nada. "Arirang" chega com a energia e a ambição de um grupo que nunca deixou de saber quem é. Gravado em Los Angeles em 2025, o álbum tem produção executiva de Diplo, com contribuições de Kevin Parker, Mike WiLL Made-It, El Guincho, Flume e JPEGMAFIA.
A primeira metade do álbum é declaradamente hip-hop, com "Body to Body" a abrir com percussão tradicional coreana, a melodia folclórica "Arirang" e a energia de um estádio a explodir no mesmo compasso. "Hooligan", com El Guincho, coloca o rap do grupo em primeiro plano, enquanto "Aliens" aborda com humor a experiência de ser coreano no Ocidente. "FYA" eleva a temperatura e "2.0" fecha esta primeira metade como declaração de intenções para o novo capítulo do grupo.
No centro do disco, "No. 29" impõe uma pausa: um interlúdio construído sobre o toque do sino sagrado do rei Seongdeok, Tesouro Nacional número 29 da Coreia do Sul, que separa a energia da primeira metade da introspecção do que se segue.
"SWIM", o single principal, percorre ondas de sintetizadores lo-fi para dar conforto a quem se compara ao ritmo dos outros, e marca a transição para uma segunda metade mais introspetiva. "Merry Go Round", produzida por Kevin Parker dos Tame Impala, mergulha em melodias melancólicas sobre padrões emocionais difíceis de quebrar, enquanto "NORMAL" oscila entre a ironia e a resignação sobre tudo o que o grupo considera banal na vida que leva. "Like Animals" explora o grunge com Jung Kook e Jimin em destaque, e termina com um solo de guitarra, antes de "they don't know 'bout us" responder a quem duvidou com um simples "You said we changed? We feel the same". "One More Night" é a faixa mais aventurosa, com órgão psicodélico sobre um pulso de house dos anos noventa e acordes jazzísticos de R&B da mesma década. O álbum fecha com "Into the Sun", uma declaração de amor ao público que coloca os BTS numa liga própria.
A única reserva é o que o álbum prometia ser e não chegou a ser por completo: para um disco chamado "Arirang", as raízes coreanas surgem mais como ponto de partida do que como fio condutor. O que não impede que "Arirang" seja um álbum consistente, ambicioso e difícil de ignorar.
"Arirang" é também o resultado dos anos a solo, e a presença individual de cada membro nunca foi tão evidente. RM e J-Hope destacam-se como os que mais consolidaram a sua identidade criativa durante a pausa, mas o grupo soa sempre a grupo, agora também a sete pessoas com algo próprio para dizer. Não é um regresso cauteloso: é um álbum de um grupo que saiu a saber quem era e voltou a saber ainda melhor. Os BTS não precisaram de se reinventar, precisaram apenas de se reencontrar.
Ouça o novo álbum "Arirang" completo abaixo