Vodafone Paredes de Coura: uma 25.ª edição memorável

A 25.ª edição do Vodafone Paredes de Coura realizou-se de 16 a 19 de agosto e confirma-se que foi a mais memorável de sempre, não tivessem os bilhetes gerais e o bilhete diário de dia 19 (sábado) esgotado.

O festival conta um palco principal – Palco Vodafone – e dois secundários – Palco Vodafone FM (também no recinto), que se transformava mais tarde em “After-hours”, e o Palco Jazz na Relva. Este último localizado nas margens do rio Taboão, animando todos os presentes durante a tarde.

No primeiro dia apenas esteve em funcionamento o palco principal e quem o estreou foi a Escola do Rock, uma escola municipal onde são interpretados grandes nomes da música como Tame Impala, Beatles, Led Zeppelin, entre outros. A continuar os espetáculos estiveram The Wedding Present (playing “George Best”), Mão Morta, Beak>, Future Islands – que proporcionou uma hora de espetáculo eletrizante – e Kate Tempest, para quem as palavras têm um valor intenso e marcante.

O cabeça de cartaz do segundo dia foi Nick Murphy. Com um concerto tempestuoso, não pôde deixar de ser um “mix” de Chet Faker com o próprio. Assim, êxitos como “1998”, “I’m into you” e “Gold” misturaram-se com o término de concerto, inesperado e repentino, de “Stop Me (Stop You)”, deixando os fãs na esperança do seu regresso ao palco, o que acabou por não acontecer. Neste dia atuaram também no palco principal YCWCB, Car Seat Headrest, King Krule e At The Drive-in.

Com um atraso de 35 minutos, foi no terceiro dia que os Beach House pisaram pela primeira vez o palco do festival, deixando um pouco a desejar. Para além do atraso, que Victoria Legrand justificou com “problemas técnicos”, todo o concerto se deu num tom escuro, deixando-nos a sensação de que era necessário um pouco mais. Antes deste concerto, já tinham subido ao palco Bruno Pernadas, Young Fathers, Badbadnotgood e Japandroids.
Sobre o último dia é difícil falar-se. A emoção vem ao de cima. A começar pela conferência de imprensa com Benjamin Clementine. Depois de ouvir o novo álbum – “I Tell a Fly” – em primeira mão, foram realizadas algumas questões ao artista. Afirmando que sofreu de bullying quando era mais novo, o seu modo de pensar distingue-o de uma forma muito subtil. Este afirma que não pertence a lado algum e que “quanto mais cedo percebermos que somos meros viajantes, melhor”.

Com um grande apelo ao público, não passaram despercebidos os seus enormes êxitos “I Won’t Complain”, “Adios” e “Condolence”. Na última música mencionada foi vivido o melhor momento deste concerto: o cantor de 28 anos fez questão de desafiar a plateia a um canto em olhos fechados, apelando a todos os presentes que “não tenham medo”.

A festa continuou com Foals, e que festa…! A relação banda-público mostrou-se muito saudável e é de salientar momentos com “Late night”, “Heavy Water”, “Inhaler” e “Number”, esta última que deixou em êxtase a plateia e trouxe ao de cima de forma muito notória o seu lado dançante.

Para além de um fã ter conseguido subir ao palco em pleno concerto, tendo sido de imediato retirado pelos seguranças, pode-se afirmar que esta última atuação do festival foi uma surpresa. A banda de rock alternativo, proveniente de Oxford, foi a única que regressou no final, e para mais umas surpreendentes três músicas! Manel Cruz, Foxygen e Ty Segall também atuaram no Palco Vodafone no mesmo dia.

Mas a surpresa final ainda estava por vir. Foi logo a seguir ao concerto de Foals que se cantou os parabéns ao festival pelas suas 25 primaveras, seguido da música “All My Friends”, de LCD Soundsystem (banda que atuou no mesmo palco na edição anterior). Confettis e bolas gigantes circulavam pelo público. Um momento de festa com um toque de genuinidade que emocionou muitos dos presentes.

Para o ano o Vodafone Paredes de Coura volta de 15 a 18 de agosto.