Reportagem

Lukas Graham surpreendeu-se com o público na sua estreia em Portugal

A estreia de Lukas Graham em Portugal não rendeu um Coliseu dos Recreios cheio, mas, mesmo assim, terá sido o concerto mais barulhento da digressão, segundo o cantor. O concerto de 12 de abril em Lisboa foi o encerramento de uma digressão de meio ano.

“O público de Portugal faz mais barulho do que dos Estados Unidos e isso é um pouco assustador” disse Lukas Graham numa das muitas intervenções em que mostrou a sua surpresa com o público de Lisboa.

Foi então, como disse o dinamarquês, um coliseu “half fucking full” (meio cheio, na tradução mais simples), que abriu portas às 20h00 e às 21h00 em ponto começou a receção com a primeira atuação do australiano Hein Cooper em Portugal.

Hein Cooper faz uma boa apresentação para aquecer as palmas e as vozes do público, sem nunca largar a guitarra e sem se afastar muito do aparelho de Loop Station que tem aos pés. Descontraído e satisfeito, comenta as músicas que ele próprio compôs (“Rusty”; “The Art of Escape”) e canta covers a que espalmou o estilo pessoal - às vezes a tender para o retro, outras para uma composição pop elaborada.

O público usa o espaço livre na plateia para se sentar ou até deitar-se, como se estivesse a olhar para as estrelas. A estrela da noite aparece pelas 22h00, sem camisola, juntamente com a sua banda; o guitarrista corre pelo palco e a banda começa logo com um ritmo de quem quer mudar o mundo. “Take the world by storm” para dar início ao concerto.

A família e a transição entre fases da vida são o pilar de todas as falas e músicas de Lukas Graham. A canção “7 Years”, que faz o sujeito pensar na idade de 11, 20 e 30 anos e imaginar-se já com 60, é o mote de toda a produção musical, mas só se ouve no final do concerto.

A canção de 2012 que o trouxe para a ribalta na Dinamarca, “Drunk in the Morning” é a segunda. Na música seguinte, o cantor lança “Everybody is like” e o público devolve em coro, como bumerangue, “Hayo, She wants some”.

As luzes claras e azuladas banham todo o coliseu, como o mar que circunda os dois países, Portugal e Dinamarca, países que o cantor compara enquanto conta as viagens que fez nesta digressão que agora termina.

Os músicos tomam bebidas no palco e vão tirando as camisolas e o público aplaude com entusiasmo. Aliás, Lukas Graham orgulha-se de apresentar cada um dos instrumentistas que o acompanham no piano, guitarra, saxofone, trompete e trombone.

O jogo de luzes torna-se espetacular e também com as batidas da bateria, o coliseu ganha tons cor-de-rosa para apresentar Gina, “a única menina da banda” e também "o membro mais antigo". Lukas aponta para a guitarra do ano de 1964 que está ao colo do colega de palco.

O público não vem só para ouvir, e eis que também tem o seu momento a solo. Calam-se os músicos e ficam parados para ver e ouvir o coliseu aos gritos e assobios. Lukas Graham limpava os olhos: “Wow (pausa). Não se preocupem, não são lágrimas, é só transpiração nos olhos. Transpiração nos olhos é uma chatice”.

Isto depois de “Don’t you worry ‘bout me” ou “What happened to perfect”, “Criminal Mind”, e a intimista “Better than yourself” – em que os holofotes se dirigem para o pianista e para Lukas Graham, que muda de posição no palco à medida que a canção avança – de novo, as músicas que representam a mudança.

“Mama said” para todos porem os braços no ar. Lukas faz discursos arrepiantes, que são sinceros e retirados da sua experiência e não poupa palavras para explicar a importância de valorizar a família. Dedica à filha a "Happy Home", convertida quase numa canção de embalar com a ajudar das teclas do piano.

E passamos por momentos dolorosos, a grande perda da sua vida. A ausência da figura paterna, que agora não está “para celebrar o homem que criou”, para alegrar as vitórias ou para continuar a guiá-lo no caminho. A ferida nunca passa. “You’re not there” emerge do silêncio que se faz no Coliseu, para o cantor se interrogar se é justo, e para concluir, quando todos lhe dizem que ele vai crescer e que vai melhorar: “Sim eu vou, mas não, não vai”. Fala para quem está e não está, eleva a voz e as luzes do palco apagam-se uma por uma.

O concerto parece estar finalizado, mas o público não para de gritar e de bater os pés, até se sentir um pequeno terramoto no Coliseu. A chave de ouro, depois de ”Welcome to my funeral”, a “Seven Years Old”.

Lukas Graham e a banda foram confirmados para o festival MEO Marés Vivas, no dia 15 de julho, em Vila Nova de Gaia.

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