Reportagem

A noite em que Lisboa tirou o chapéu a Ben Harper

Ben Harper regressou a Portugal com o primeiro concerto a solo, na noite de 17 de agosto. E “Excuse me, Mister”, já ninguém pode duvidar que o artista pode mudar o mundo com as duas mãos (“With My Own Two Hands”, algo que canta desde 2003).

O espetáculo foi todo em torno de um monólogo musical, mas com guião de duas horas muito bem pensado. Ben Harper veio com músicas que fazem o background da atualidade internacional.

“Call It What It Is” é o mais recente álbum, editado em abril de 2016. A canção com o mesmo nome tem como tema principal o racismo, e assim podemos lembrar as inúmeras manifestações que aconteceram nos Estados Unidos desde o último ano e incluir os recentes protestos em Charlottesville de 12 de agosto deste ano, com que se levantou a questão da supremacia branca.

Mas voltando a Lisboa, a partir das 21:30 o público assistia ao trio espanhol Club del río, que se apresentou com música country espanhola e um certo folk anglo-saxónico.

Às 22:20 bastou as luzes serem apagadas para começar a euforia. Entrou o artista, que já tinha um coliseu quase esgotado à espera, e sentou-se. Sem dizer nada, com a guitarra Weissenborn nos braços começou a tocar. Não tirava os olhos da “menina” que tinha ao colo. Já iam cinco minutos sem dizer nada, mas o silêncio e a contemplação estavam instalados.

“Here Comes The Sun” foi a primeira música que Ben Harper cantou para Portugal. Agradeceu numa chuva de aplausos e voltou-se para a guitarra, para tocar três notas mágicas que fizeram a multidão manifestar emoção com um uníssono “ooh”.

“Excuse Me Mr.” é uma canção de 1995 e tem uma letra que não deixa de ser verdadeira. São mais de 20 anos de carreira do Ben Harper em que não se intimidou a dizer as verdades e virar a atenção para problemas da humanidade, mas também a cantar o amor.

“Please Bleed” também foi ouvida, antes de o Coliseu se encher da cor de um topázio azul para “Diamonds On The Inside”, uma das muitas músicas em que a plateia não sabia se havia de cantar ou calar-se para ouvir a voz de Ben Harper.

Mais um grande momento do “monólogo” – o músico estava sentado ao piano, quase de costas para o público, voltado só para os seus botões. Na tranquilidade de “Born to Love You”, o músico apanhou todos de surpresa quando com um erro (propositado, ou não), disse uma asneira, levantou-se num ápice e de uma volta no palco. Ele disse “One more time” e o coro juntou-se outra vez.

O concerto passou também por “When it’s good”, “Deeper and Deeper”, “Power of the Gospel” e muitas outras.

Depois do silêncio do público e da euforia dos aplausos, Ben Harper parava. Como se não soubesse como agradecer, levava a mão ao peito e tirou o chapéu algumas vezes.

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